terça-feira, 19 de agosto de 2008

Insônia, 17/06/2006 – 2:50

Meia noite:
Incessantes eles começam a repetir-se
Dia após dia, pesados como fardo
Sem o sossego deixar-me acalmar.

O dia, como filme, de cenas inacabáveis
Em outra noite de trevas
De suspiros sem tréguas
De sonhos símbolos,
Ofuscos, confusos, intrusos...
Expulso-os!
...Não posso.


Uma hora. Busco soluções, mimos, canções;
Crio campos, lagos, belas paisagens.
De que me servem se são desfeitos?
- Ai, devaneios!

Dirijo-me até a prateleira, pego um livro e leio-o.
(Por um segundo, a esperança!)
Apago as luzes cansada
Mas nem o cansaço descansa.

Duas horas...
Semi-desisto mais uma vez. E filosofo.
Se é para pensar no amanhã,
Então pensar-lo-ei!

Amanhã... O que hei de fazer?
O mesmo de hoje e de sempre?
Essa rotina enfadonha de sempre?

- Estude, jovem persistente, o futuro te chama!
Mas não me concentro! O cérebro humano é tão grande que
[sua grandeza o limita!
E eu, que sou apenas eu, de tão pouco tempo de vida
Sempre me encontro a razoes tão maduras
(E às vezes em meio a tensões tão adultas!)
- Ai, mente obscura!

- Divirta-se, jovem enérgica, nada é eterno!
Mas se em nada houvesse responsabilidade, o nome da Terra
[seria Inferno!


(Três horas; três horas, meu Deus!)
Em meio a frases alienadas, soltas, defasadas,
Mergulho em silêncio:
.
E após o silêncio, me atormenta o momento.

Olho o relógio: tic, tac – a madrugada escorre.
Os pensamentos param. Tempo fugaz, fugidio,
[fratricida.
Com a caneta à mão, estou tão vaga que nem
[decifrar a mim mesma é possível...

Pouso-a sobre o papel e a cabeça sobre o travesseiro.


Agora cessantes eles começam a desaparecer
Instante após instante, menos pesados do que antes
Com o sossego permitindo-se chegar...

E finalmente durmo, mas sabendo que amanhã
tudo será igual.
Enfadonhamente Igual;
Entediantemente Igual;
Inescapavelmente Igual.

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