Nao, eu nao escrevo para alguem ler. Escrevo para mim mesma, apenas como extravaso de ideias para alem do meu caderno de pensamentos escondido na gaveta.
Hoje havia uma borboleta na janela; tirei fotos, sentei, observei. Isso me faz pensar na minha futura tatuagem de 4 borboletas voadoras e, consequentemente, em toda a minha vida. Me fez pensar nos meus 2 Cantinhos Zens de ontem, tambem.
Há metafisica bastante em nao pensar em nada, já diria um dos heteronimos de Fernando Pessoa, nao lembro se Alberto Caeiro ou Ricardo Reis. Mas posso eu dizer que ha mais metafisica ainda em pensar? Talvez. Nem sempre pensar vale mais...
Antes de ontem senti saudades imensas do Rick, meu cachorro com quem convivi por 17 anos, 11 meses e 3 semanas, hoje enterrado no cais do condominio. Sinto muito por estar viajando quando ele se foi, nao pude me despedir como gostaria... Senti falta da infancia.
De colecionar caracois catados pelo condominio com Má (a mesma Marilene de hoje, mas que ate entao era empregada apenas da minha avó) e Rick. Senti falta dos carrinhos de roliman dos meus irmaos e vizinhos; das casinhas-na-arvore que eu gostava de apreciar; ate de brincar de boneca, o que nem chegava a ser minha brincadeira favorita.
Saudades mesmo dos bichinhos de pelucia, todos eles expostos pelas prateleiras, armario, comoda, cama, chao... Tantos! Don Ratao, a cobra, o coelhinho que mostrava a bunda...
Isso me lembra quando Tio Téo, meu padrinho hoje muito ausente, chegava aqui e me levava pra comprar ursinhos e calcinhas. Eu adorava!
Incrivel como os tempos mudam... Mas nao tanto!
A solidao continua sendo por mim alimentada, quando gosto de ficar em silencio no meu quarto ao som de musicas calmas e ao cheiro de incenso. Gosto do silencio. Ele costuma dizer muito mais do que gritos. É por isso que filosofo em segredo. E ninguem precisa saber.
E é por isso que, se para alguem esse relato parece confuso, pouco me importo. Pois há verossimilhança interna e nao me importo que nao haja externa.
sábado, 29 de março de 2008
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Um comentário:
Meu blog também é assim, escrevo coisas que penso naquele momento. Minha própria forma de escrever mudou muito... olhei ano passado as minhas primeiras postagens e comparei, tantas ingenuidades temos e que só o tempo mostra... mas creio ser perigoso dizer que ingenuidade ruim. Sinceridade gostaria de ter algumas daquelas ingenuidades, mas tantas coisas duras nos acontecem que torna-se quase impossível não se tornar mais rude.
Mas escreva, principalmente para si.
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